“A melhor forma de observarmos um peixe é passarmos a ser um peixe.”
Ao contrário do que geralmente é afirmado, o envolvimento de Jacques-Yves Cousteau no mundo submarino aconteceu de forma fortuita. Aos 26 anos, o futuro oceanógrafo sofreu um violento acidente automóvel, cujas mazelas o levaram a abdicar de uma carreira como aviador na Marinha. Ele mesmo diria posteriormente que o facto de ter estado às portas da morte lhe tinha salvo muito provavelmente a vida, já que a maior parte dos seus colegas de curso acabariam por ser abatidos durante a II Guerra Mundial.
Nascido a 11 de Junho de 1910, na região de Bordéus, Jacques-Yves Cousteau cedo se interessou por cinema e aventura. Espírito rebelde e indisciplinado, iria multiplicar as suas experiências de mergulho durante a II Guerra Mundial. Já nessa altura inicia pesquisas no sentido de criar equipamentos de mergulho com maior autonomia. Com Emile Gagnan engendrou um novo escafandro de mergulho que apresentava resultados verdadeiramente notáveis. O sistema permitia descidas à profundidade de 62 metros, pelo que o seu posterior uso generalizado se revelou determinante para a história da exploração submarina e das ciências do mar.
Terminada a Guerra, Cousteau é agraciado com a Legião de Honra e em 1950 é nomeado Presidente das Campanhas Oceanográficas Francesas.
Em 1956 co-realiza com Louis Malle “O Mundo do Silêncio” que obteve o Grande Prémio de Cannes e o Óscar para o melhor documentário. Em 1964 Cousteau receberia de novo esta distinção com o “Mundo Sem Sol”.
Nesse ano demite-se da marinha de guerra e passa a dedicar-se exclusivamente ao Calypso, iniciando a produção de sua primeira série para a televisão: “A Odisseia Submarina”, programa que despertou a consciência ambiental e a curiosidade científica em milhões de pessoas.
Os seus documentários televisivos são em número superior à centena e receberam no total 40 nomeações para Emys.
Ted Turner, o seu patrão da CNN, registou que cada um dos seus documentários foi, em média, três vezes mais caro do que as produções realizadas por aquela estação. Um filme de 48 minutos levava seis meses a montar. Os lucros eram sacrificados em favor da produção, para deslumbramento dos milhões de espectadores que viam o Comandante como o verdadeiro ícone do cientista aventureiro.
Líder de diversas instituições museológicas e de divulgação científica, personagem voluntariosa e carismática, Jacques-Yves Cousteau viria a falecer em 1997, apenas um ano depois do Calypso – o velho draga-minas companheiro de tantas aventuras – se ter afundado no Porto de Singapura.
