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Como Evoluiu o Packaging Design

packaging top

Fazer compras é um processo tão enraizado na nossa cultura que às vezes nem pensamos no que nos chama a atenção para um produto desconhecido que encontramos na prateleira, ou para preferirmos uma marca a outra quando o produto final não tem diferenças significativas quer na qualidade, quer no preço. A sabedoria popular é chamada sabedoria por alguma razão, e quando se diz que “os olhos também comem”, esta é efectivamente uma das verdades universais quando falamos de vendas e do modo como a imagem e a apresentação dos produtos influencia a decisão do consumidor.

Recuamos mais de cem anos para compreender as exigências e a evolução do packaging design. O período entre a Revolução Industrial e o fim da Primeira Guerra Mundial viu a necessidade de criar maior número de embalagens a preços mais competitivos para fazer face à procura. Introduziram-se novos formatos, como as latas e as embalagens em celofane, que permitiam mais produção, melhores custos e garantiam maior tempo de vida aos produtos. Mas foi o final da Segunda Guerra Mundial e o boom dos supermercados na década seguinte que mudou a abordagem logística do comércio, exigindo que a produção fosse facilmente escalável, e o packaging foi-se aproximando dos formatos que conhecemos hoje. Durante décadas, as embalagens serviam propósitos quase exclusivamente informativos, quer para o consumidor, quer para o próprio comerciante, já que a informação nas embalagens era muitas vezes a única forma de distinguir os produtos.

À medida que a tecnologia foi evoluindo, os processos de venda ao grande público foram facilitados. Com isto, as marcas perceberam que podiam usar o espaço das embalagens para mostrarem os seus valores e criarem mensagens que fizessem eco junto dos seus consumidores, passando a usar a própria embalagem como emotional selling point. Todos conhecemos marcas cujo design da embalagem é tão forte que se tornou parte da identidade da marca. O exemplo mais flagrante é o da Coca-Cola, cuja garrafa de vidro se mantém praticamente inalterada desde 1915, e o seu design é tão reconhecível que o identificamos mesmo que peguemos na garrafa de olhos fechados – parte do briefing passava exactamente por esta característica.

cocacola

Com a evolução dos sistemas de compra e dos hábitos de consumo, as embalagens foram também elas evoluindo, não só do ponto de vista da embalagem exterior que protege uma outra (como, por exemplo, as embalagens de cereais), como do ponto de vista do formato e da sua usabilidade. A evolução das embalagens de cartão para líquidos tornaram estas embalagens mais ecológicas e funcionais, e o impacto nas marcas que adoptaram a tecnologia da Tetra Pak foi extremamente positivo. Não é por acaso que a incontornável embalagem criada pela empresa sueca é considerada a maior inovação nos sistemas de embalagem de comida do século XX.

tetrapak

O crescimento exponencial da tecnologia, a introdução de novos sistemas de transacção e a criação de inúmeros canais onde as marcas podem comunicar activamente e em tempo real com os seus consumidores, trouxe também novas oportunidades para o design de produto e a respectiva embalagem. Estas oportunidades implicaram também que a subida da fasquia no que diz respeito ao packaging design. A consciência ambiental das marcas tem sido uma das abordagens mais fortes, com muitas marcas a recorrerem a materiais reciclados ou amigos do ambiente para as suas embalagens. Outras indústrias usam as suas embalagens como extensão da sua identidade – a indústria cosmética explora ao máximo esta abordagem.

As alterações climáticas vão continuar a fazer a diferença no futuro, assim como o aumento da população mundial, o que coloca desafios ainda maiores na aplicação de recursos e escolha de materiais. É de esperar que o packaging continue a evoluir como até agora, e que esta evolução reflicta a necessidade de maior funcionalidade e que as mudanças introduzidas estejam mais do que nunca em linha com as reais necessidades dos consumidores.

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